Julho 28, 2014
Corpo de Bombeiros será 1º do país a usar água de reuso, diz Sanasa

Julho 28, 2014
'Sósia' de Agostinho Carrara, taxista de Campinas já deu até autógrafo

Matéria realizada para o G1 Campinas

Julho 28, 2014
Rotina de estudos para medicina na Unicamp faz estudante perder 16 kg

Julho 28, 2014
Projeto utiliza 'bikes sonoras' como forma de ocupar as ruas de Campinas

Junho 8, 2014

(Fonte: tirinhastoscas)

Novembro 6, 2013
"Deixo meu sorriso fácil, minhas frases bobas, meu gosto duvidoso e a esperança do futuro que sempre carreguei na bolsa do olho direito. Um dia quem sabe você venha devolvê-los."

Outubro 23, 2013
Carta para ninguém

Doeu muito quando ela partiu? É, doeu quando você foi embora. Acho que te amo até hoje. Na verdade a minha cabeça diz que foi a sensação de abandono, mas o coração fala que talvez seja amor de verdade. Não sei, nunca amei e nunca fui abandonada. Acho que senti as duas coisas ao mesmo tempo, e hoje elas se confundem.

Por todos esses anos acreditei que o destino nos uniria novamente. Achei que iríamos tropeçar um no outro sem querer em uma livraria, talvez em um café. Você diria que estou mais bonita e eu diria que você engordou. Daí você me convidaria para conversarmos em algum lugar aberto e que servisse algum drinque especial, como sempre fazíamos no passado. Nesse dia eu tomaria coragem para te dizer que eu nunca te esqueci.

Oh Deus! Como desejei esse dia. Na verdade desejo todos os dias. Acho que tudo que fiz até hoje sempre foi uma forma indireta para chamar sua atenção. Um corte novo de cabelo, uma foto nova no meu perfil, uma viagem bacana, um vídeo de uma banda nova e super descolada. Acreditei que alguma dessas coisas serviria de pretexto para falar comigo novamente. E você aí, inerte a mim.

Já te esqueci por uns seis meses, acho, mas depois sempre percebi que você não estava naquele corpo. Queria você.

Desejei sua felicidade e a dela, desejei o fim, desejei que você sofresse e desejei que o que era para ser seria. E hoje já não sei mais o que desejo, porque dói, sabe?

O mais chato é pensar que você foi a pessoa mais incrível que já conheci. E olha que conheci gente de todos os credos, gostos e humor. Como pode?  Até hoje me vem à cabeça uma cena de quando a gente foi naquele bar (que, aliás, nem existe mais) e você levou um bloco de desenhos. Lembro que no meio da conversa eu estava entediada de você ficar rabiscando, e aí o vento levou as folhas para longe. Recordo-me perfeitamente da expressão que você fez quando eu percebi que você tinha feito uma sequencia de desenhos do meu rosto, enquanto recolhíamos os papéis do chão.

Só queria que você pudesse saber de tudo isso sem me achar maluca, afinal de contas porque esse tipo de sentimento é tratado como maluquice? Acho que guardar tudo isso dentro da alma que deixa a pessoa ensandecida, febril, doente.

Só queria que você soubesse… Doeu muito quando ela partiu? 

Giulia Cirilo é estagiária de um site de notícias e está quase terminando o curso de jornalismo. Desde pequena sua cabeça maluca sempre maquinou histórias. 

Setembro 24, 2013
O Último Hippie da Feira

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Paulinho Caverna é o ultimo dos hippies. Típico sem lenço, nem documento, sem cartão de crédito, telefone celular e até mesmo desprovido de uma campainha. Seus pertences são duas mochilas, apelidadas por ele de Matilde e Jurema, no qual em uma carrega suas roupas e na outra, os couros para produzir suas pulseiras e outros artigos artesanais. Além de suas duas mulheres, Paulinho também possuí um chapéu do qual só usa aos finais de semana, assim como o cigarro que sagradamente ascende ao amanhecer da madrugada de sábado, quando inicia sua caminhada para a feira de artesanatos do Centro de Convivência, local onde trabalha. Alertando-me, chapéu e cigarro só aos finais de semana.

Paulo Roberto Zago nasceu em 1951, na cidade de Mogi Mirim no interior do Estado de São Paulo. Mudou-se para Campinas ainda pequeno com os pais. Desta época pouca lembrança tem, ou finge que tem.  Aos 14 anos perdeu sua mãe, que morreu dormindo de uma causa que ele desconhece até hoje. Seu pai, logo após o luto da mãe, mudou-se para a cidade de Santos formando outra família. Paulinho ficou por Campinas morando com uma tia até os 17 anos. Foi a partir de tal época que resolveu abdicar das tradições, chutar as conveniências e cair no mundo.

Deixou o cabelo crescer, saiu da casa da tia e começou a fazer seus primeiros artesanatos. Diz que o movimento hippie naquela época era ter cabelo comprido e trabalhar por conta. No ano de 1970, começou a fazer um bico no diretório acadêmico do curso de Psicologia da Puc-Campinas. Nessa época se uniu ao movimento estudantil contra a ditadura militar. Durante  as madrugadas imprimia panfletos com artigos de caráter socialista. Foi pego pelo Departamento de Ordem e Política Social (DOPS), órgão nacional responsável por reprimir possíveis movimentos que fossem contra a política da época. Diz que não sofreu tortura, mas que soube de alguns colegas que foram reprimidos de maneira mais radical. Conheceu Raul Seixas, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Foi a festas na casa de Marcelo Rubens Paiva, bebericou algumas cervejas em companhia de ilustres, como Belchior, Jorge Mautner e Ilze Scamparini. Começou a vender seu artesanato na feira da Praça Carlos Gomes, a feira precedente ao do Centro de Convivência, onde o movimento hippie era forte na época. Tomou como frase ‘A liberdade é uma calça velha azul desbotada’, e após as feiras dos sábados ia tomar todas no antigo Setor. Dormia debaixo das marquises do Teatro do Centro de Convivência, acordava pela manhã dos domingos e junto com os colegas partiam para a Rodovia Dom Pedro, pegar uma carona até alguma praia, a mais próxima onde o carona fosse. Ao som de ‘Caia na Estrada e Perigas Ver’ dos Novos Baianos, foi parar algumas vezes no Rio de Janeiro e um dia pintou uma oportunidade de ir para a Bahia. Lá, ficou por vários meses vendendo seus artigos nas praias e um dia resolveu voltar.

Conforme o tempo passou, o corpo cansou e a alma viajante pediu aposentadoria. “Tem hora que a gente quer lugar fixo”. Há dez anos Paulinho mora num quarto alugado em um beco da Avenida Sales de Oliveira, na Vila Industrial. Todo sábado acorda por volta das 3 da madrugada e percorre a pé por volta de Xkm, até chegar à feira que fica no coração do Cambuí. Chega cedo para montar algumas barracas e com isso ganhar uns trocados a mais, garantindo uma branquinha ao fim do expediente. Participa da feira de artesanato do Centro de Convivência desde o início, há 40 anos. Com a concessão de uma barraca há 15, Paulinho vende pulseirinhas trançadas de couro, colares de semente, anéis de madeira e brincos de pena. Segundo ele, às vezes rola encontrar umas penas de pavão no bosque da cidade, “mas quando o bicho vê cabeludo chegando ele sai disparado”. O movimento na barraca é fraco, e Paulinho acredita que seus fregueses morreram ou ficaram velhos demais para usar seus artigos. Fumando um cigarro aqui e pedindo para algum colega de barraca um café adoçado acolá, Paulinho avalia o movimento da feira com seus olhos azuis cristalinos. De cabelos louros desbotados na altura do ombro e um farto bigode, usa seu chapéu marrom de abas longas, camiseta e uma calça Levi’s comprada no brechó do centro Espírita Allan Kardec, que me garante que pagou 5 reais pela peça. A manhã toda Paulinho contou histórias, mas chegou uma hora que sua expressão mudou e ele ficou calado. Sua aflição se devia a juntar pelo menos 50 mangos para pagar o aluguel daquela semana e já é por volta das 11 horas e nenhuma venda.

Quando entre um transeunte e outro que para, olha as peças e vai embora, duas meninas passam e uma diz ao celular “ Estou na feira hippie!”. Paulinho fica vermelho e começa a bravejar “Feira hippie! Feira hippie? Fico puto quando escuto isso. Cadê os hippies daqui? Isso é uma feira de artesanato, desde quando artesão é hippie agora?”. O motivo que lhe causa irritação, se deve a que grande parte dos feirantes ali no Centro de Convivência não são hippies e nunca o vão ser, como Lúcia, vizinha de barraca de “Seo Paulinho”, mãe de três filhos, evangélica e temente a Deus. Por ali também existem alguns jovens com cabelos rastafáris que ficam sentados em tapetes no chão vendendo seus produtos manufaturados e tocando violão, mas ao serem questionados se são hippies, eles ficam irritados e dizem que não são hippies e sim: Loucos. Existem outros como Anselmo e Toninho, esses amigos de Paulinho, que sustentam o estilo hippie de ser, vestir e falar, mas que durante a semana trabalham em outro lugar e ao contrário do movimento possuem celular, carro, conta no banco e tudo que um hippie moderno pode ter. Do perfil de contracultura, da quebra com sistema que teve seu início na década de 70, Paulinho é um lobo solitário.

O movimento na barraca começa a melhorar por volta das 12 horas e quando o relógio digital que fica em frente ao City Bar aponta 13h30, Paulinho já soma R$100,00 das vendas. “Pronto, agora já dá para pagar o aluguel e tomar umas” diz, ajeitando com rapidez seus pertences em uma das mochilas. Paulinho se despede de seus colegas, apanha Jurema e Matilde e me convida para tomar uma cerveja no estacionamento do Pão de Açúcar. Aceito três copos e me despeço. Dali ele me diz que vai continuar bebendo mais um pouco, esperando os amigos Toninho e Anselmo se juntar a ele. Depois seguirá seu caminho a pé até seu quarto alugado em um beco na Vila Industrial, dormir e acordar às 3 horas da madrugada de mais um domingo, montar novamente as barracas e garantir os trocados. Depois dali, só semana que vem.

O Último Hippie da Feira foi o perfil desenvolvido para a conclusão da matéria de Jornalismo Literário ministrado por Fabiano Ormaneze no primeiro semestre de 2013. Mais perfis você encontra na página do e-book (Des)conhecidos.

Setembro 22, 2013
"Filmes, literatura e música são tudo para aqueles que nunca conheceram o amor. É uma via de expressão desconhecida, imaginária."

Setembro 5, 2013
Impulsivo

Impulsivo era um garoto muito quieto, desde pequeno nunca fazia nada por espontaneidade.  Os garotos passavam trote em um telefone público ali da praça em frente à igreja e Impulsivo sempre se recusava. “Deixa de ser cagão”, gritavam os moleques, mas ele nunca ia e ficava sentado no banco olhando com cara de indiferente para os meninos que faziam traquinagens.

Quando a puberdade veio, os hormônios também não alteraram o jeitão do garoto Impulsivo. A molecada fazia loucuras próprias da idade, bebidas, um cigarrillo aqui, o baseado que alguém arranjou ali, meninas, meninos.  As garotas ficavam loucas, porque apesar da cara de alpaca, Impulsivo era uma alpaca bonita. Falavam aos montes “Venha aqui no escurinho”, e o beijavam de todas as maneiras que poderiam enlouquecer qualquer homem, mas Impulsivo só teve a primeira transa com Carmem, menina que ele conhecia bem porque era  filha da melhor amiga de sua mãe. Ah, e eles só transaram depois que Carmem começou a tomar pílulas anticoncepcionais e o sexo foi com camisinha, claro.

No período da faculdade, Impulsivo não deixou que o destino fizesse sua parte e perdeu a chance de ficar com a mulher mais incrível que ele conhecera. Ela era meio hippie e seu rosto exótico, por conta da descendência chinesa/alemã, deixava os garotos malucos. No 6º semestre ela o convidou para um intercâmbio em Berlim, na aventura mesmo já que ela possuía parentes na cidade. Ele se recusou, disse que precisava concluir o curso de matemática.

Na vida profissional, Impulsivo trabalhava em algum cargo público que ele conseguira através de um concurso. Prestava provas todo ano para subir na carreira, mas nunca pensou sequer um momento em largar aquilo, porque como já diziam seus avós - cargo público é tranquilidade pro resto da vida. Casou-se com uma mulher sem muitos anseios na vida, na verdade ela era viciada em trabalho e quase nunca estava em casa.

A única vez que Impulsivo agiu por impulso ele morreu. Era uma tarde gélida, fazia em torno de 10°, chovia bastante e naquele dia andando com seu guarda-chuva na rua ele resolveu de repente tomar um sorvete de pistache naquela famosa sorveteria de esquina.  Foi atravessar fora da faixa de pedestre e por conta da neblina não viu uma moto que vinha.

 Giulia Cirilo é estagiária de um site de notícias e está quase terminando o curso de jornalismo. Desde pequena sua cabeça maluca sempre maquinou histórias que nunca aconteceram.

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